quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Arlindo Gomes e Hilário Gomes Alves

Aquela herança, vinte galões de ouro do século XVII, eram falsos, diziam as bocas da vizinhança, tinham passado de geração em geração até a avó de Arlindo e de Hilário Gomes Alves, uma velha corcunda da rotunda de Algés, carcomida pelos anos e anos de apanha de morangos em França. Maria do Céu, esposa de HGA, era uma preta linda, daqueles lábios carnudos, e rechonchuda que nem uma botija de gás, bebia aguardente com toda a sede do mundo e surrava Hilário porque este não dava conta do recado nas noites de cio. Hilário não era baixinho, era cambuta, meia cuca, quando entrava no botequim da Rua das Flores pedia meio bagaço se faz favor e meio copo de água. Como se aquela mistura lhe trouxesse salvação e altura! Pois não trouxe! Ai se tivesse pedido um cálice inteiro! Talvez não se safe! Do que ouvimos contar na Praça de Algés! Não se falou doutra coisa durante um mês! Ai minha nossa se vocês tivessem visto o facalhão do menino Arlindo! Ai que horror! Quase que matava o primo! Mas é melhor assim sabe? Mais vale ferido pelo primo que morto na cama.

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